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Tradições
A cultura popular das gentes de Ventosa é uma das suas grandes riquezas, uma vez que nos permite descobrir e explicar uma importante parte das suas origens. Por este motivo, é importante que este tão nobre valor cultural seja preservado e divulgado de modo a não cair no esquecimento. Assim sendo, nesta freguesia ainda hoje é frequente ouvir a Lenda da Cova da Moura.
 
 
Lenda da Cova da Moura
 
Reza a lenda que quando os mouros chegaram a Ventosa acamparam numa das elevações da freguesia. Os habitantes da aldeia, ao repararem que aquele povo ali se mantinha há muito tempo, começaram a arquitectar planos diversos para afastar gente tão indesejável. Certo dia, uma das pessoas mais antigas da aldeia encontrou a solução: amarrar aos cornos do seu gado velas a arder para quando os mouros os avistassem pensarem que se tratava de uma guerra. E assim foi, no momento em que os mouros viram as luzes das velas a dirigirem-se para o seu acampamento fugiram, gritando “Aí vai guerra!”. Com a pressa da fuga, deixaram todos os seus tesouros.
 
 
 
Do rol de tradições de Ventosa merecem também referência as festas e romarias que têm lugar na freguesia. São, na sua maioria, de cariz religioso, mas também portadoras de um lado profano, envolvendo muita animação. Destaca-se, então, a Festa de São Paulo, em Junho; a Festa de São Francisco, em Agosto; o Círio de Santa Cristina, em Agosto e Setembro; São Mamede, de 17 a 19 de Agosto; São José, de 6 a 10 de Junho; Nossa Senhora da Piedade, de 29 de Maio a 1 de Junho; São Sebastião, de 1 a 4 de Agosto; Nossa Senhora de Lurdes, de 5 a 8 de Setembro; e São Martinho, de 8 a 11 de Setembro.
À Festa de São Martinho está associada uma outra tradição: a “Caça aos Dorminhocos”, costume que se realiza no dia 12 de Novembro, no lugar de Bonabal. Neste dia, o povo de Bonabal não vai trabalhar, nem fica na cama, e dá continuidade à festa.
Um grupo, denominado “Grupo de Caçadores”, organiza-se e sai para a rua, munido de pandeiretas, ferrinhos, pratos e um pano. O grupo parte em silêncio e tenta entrar em casa de outras pessoas, com a intenção de ainda as encontrar na cama. Caso encontrem alguém nesta situação, trazem a pessoa, no pano, para a rua, no meio de uma grande algazarra, com pandeiretas, ferrinhos e pratos.
Ao longo do dia o grupo vai aumentando, e o cortejo termina apenas quando chegam ao largo da aldeia, onde são deitados foguetes.
 
 
Além das festividades acima referidas, a população da freguesia de Ventosa conta ainda com a realização de um mercado semanal, ao Domingo, no lugar da Pedra, que se realiza desde os anos 50 do século XX.
 
 
 
Os cantares tradicionais da freguesia, assim como alguns versos da literatura popular, têm sido desenvolvidos pela população local, com a finalidade de perpetuar as tradições da região e de realçar as coisas mais belas que podemos encontrar neste território. Assim sendo, destacam-se os seguintes registos:
 
 
Festas Tradicionais na Freguesia
 
I
Sem qualquer motivo oposto
Há festa religiosa
Em dezassete de Agosto
Em São Mamede da Ventosa
 
II
Tanta saudade nos resta
Desse tempo já passado
Em que o teor dessa festa
Foi sempre a benção do gado
 
III
Depois da missa acabar
Há sempre uma procissão
E há sempre um bom lugar
Para as pessoas que lá vão
   
IV
Já não há juntas de bois
Em casa dos lavradores
Porque se usam depois
As alfaias, e os tractores
 
V
Damos graças ao progresso
Pois a vida e mesmo assim
Nunca há fim sem começo
Nem começo sem ter fim
 
VI
Há versos, e orações
Na boca de toda agente
São lindas recordações
Que vivem eternamente
 
VII
Que todos os lavradores
Sejam glorificados
E as alfaias, e os tractores
Sejam sempre abençoados
 
VIII
Nosso povo é animado
E as festas nunca são feias
E sempre se tem juntado
Todos casais, e aldeias
 
IX
Todos temos o direito
À diversão que é constante
Mas sem perder o respeito
À honra do semelhante
 
X
É ditado que se ajusta
Dize-lo temos prazer
Saber viver não nos custa
Só custa mais é aprender
 
XI
O nosso povo é feliz
E afirma com prazer
Que muito pouco o que diz
Porque há muito para dizer
 
XII
Nossa cultura modesta
Não nos dá essa garantia
Humildade é o que resta
Desta nossa poesia
 
João da Cruz Ramos (Palhinhas),Setembro 2000
 
 
 
Os Círios dos Lugares da Paróquia de São Mamede da Ventosa
 
I
Os Círios, na Freguesia,
Tinham muita tradição.
Havia Festa nos lugares,
Era grande a devoção!
 
II
A Santa Cristina, distante,
Vão com fé no coração,
Três lugares da Freguesia:
Figueiras, Bordinheira e Montengrão.
 
III
Moçafaneira, Pedra e Carregueira,
Iam até à Encarnação,
Cada um, de três em três anos,
Ia em peregrinação.
 
IV
À Senhora do Livramento,
Iam Murteira e Fernandinho,
E sempre em dias diferentes,
Lá se punham a caminho.
 
V
Cantam os Anjos as Loas,
Sai o cortejo triunfal:
O Juíz leva a Bandeira,
Sai o povo do arraial.
 
VI
Partiam trens e carroças,
E os cavaleiros a gingar.
Também tocava o gaiteiro
Com os foguetes a estalar.
 
VII
Voltando todos à Aldeia,
Depois da homenagem prestar,
Vão entregar a Bandeira,
Ao juíz que há-de ficar.
 
VIII
Hoje, só há três lugares
A manter a Tradição:
São Figueiras e Murteira
E ainda Montengrão.
 
 
 
Os Lugares e Padroeiros da Freguesia de São Mamede da Ventosa
 
I
A Ventosa é Freguesia,
A Paróquia é São.Mamede
Nosso Grande Padroeiro
A quem protecção se pede.
 
II
 Na Bordinheira é patrono,
O São Francisco de Assis.
Por ser tão bom protector,
O povo se sente feliz!
 
III
São Martinho, na sua capela,
É um Santo excepcional!
Guardião dos seus casais,
Protector do Bonabal.
 
IV
O Sagrado Coração
De Jesus, Imaculado,
Na capela, em Bonabal,
Pelo povo é adorado.
 
V
Na Carregueira é São Paulo,
Grande Santo epistolar.
Escolhido pelo povo,
Patrono do seu lugar.
 
VI
Na Pedra, São Sebastião,
É patrono lá da terra,
A quem pedimos nos livre
Da fome, da peste e guerra.
 
VII
Nos Arneiros, São José,
Que foi santo e carpinteiro.
Também guardião de Jesus,
Salvador do mundo inteiro!
 
VIII
No Cadoiço, a Virgem Santa,
Senhora da Piedade,
 O povo lhe reza e canta,
Pois lhe dá felicidade.
 
IX
Nossa Senhora de Lurdes,
Padroeira de Fernandinho;
Ao seu povo humilde e crente,
Ela guia no caminho.
 
X
 Montengrão, Santa Cristina
Está presente em seu altar,
A que o povo escolheu
 Protectora do lugar.
 
Benedito Ferreira Carimbo (Bonabal)
 
 
 
Aldeias e Lugares da Freguesia
 
I
São Mamede da Ventosa
Arruda e Arneiros
Onde se sofre, ou se goza
Nossos tempos derradeiros
 
II
Somos 23 aldeias
E mais 70 casais
Vivendo a paredes meias
Sempre amigos e leais
 
III
Azinhaga e Bonabal
O Cadoiço e Bordinheira
Também honram Portugal
E a cor da nossa bandeira
 
IV
Carregueira e Costa D' Água
Cova da Moura e Carreiras
Vivem felizes e sem mágoas
Sem imagens traiçoeiras
 
V
Estrada e Fernandinho
Moçafaneira e Figueiras
Sigamos este caminho
Esta luta sem fronteiras
 
VI
Moutelas e Montengrão
Murteira e Bogalheira
Vizinhos que também são
Amigos da brincadeira
 
VII
Temos a Pedra, e a Bemposta
Recomeira, e Gafanhotos
É gente que também gosta
De alegria e eu faço votos
 
VIII
Queremos ir mais adiante
Até ao fim do caminho
E almoçar ao restaurante
Do amigo Coelhinho
 
IX
Das aldeias aos casais
Todos nós nos damos bem
Somos amigos leais
Não se distingue ninguém
 
X
Desde o mais velho ao mais novo
Vivemos em harmonia
Viva a fé do nosso povo
Viva a nossa freguesia
 
XI
Não negamos nem as pedras
O nossa grito final
Viva também Torres Vedras
E o nosso Portugal
 
XII
Pela pátria Portuguesa
Damos sempre a nossa voz
Porque ela é concerteza
A mais bela para nós
 
João da Cruz Ramos “Palhinhas” (Setembro 2000)
 
 
 
Hino da União Camponesa de Fernandinho
 
I
União Camponesa no caminho
De educar, recrear e instruir
Tua nobre missão sabe cumprir
União faz a força em Fernandinho
 
II
Amando todo o povo do lugar
Boavista, Casais até Pampilho
Em cada camponês encontra um filho
E nela cada filho encontra um filho
 
III
Nós queremos num apoio decidido
Trabalhar, estudar e aprender
Porque o homem quanto mais instruído - Bis
Melhor sabe cumprir o seu dever — Bis
 
Sra. D. Maria Hermínio Alves Gomes Calado,
Professora primária desta Aldeia
 
 
 
Hino de Bonabal
 
Tenho amor à minha terra.
Aldeia bem portuguesa
Pois dentro dela encerra
Honra, trabalho e beleza
Sua mocidade viçosa
Linda e fresca como aurora
Com trabalho e com louvor
Entoa canções de amor
Que já herdara de outrora.
 
És tu Bonabal
Minha terra querida
Onde passo a trabalhar e a cantar
Os dias da minha vida infinda
Só quem te conhece, te dá o valor
Os teus moinhos em cima,
Parecem cantar em rima
As lindas canções de amor.
 
Música e letra:
Abel Correia Marques (1952)
 
 
 
Arneiros — Marcha de Carnaval
 
Nós somos artilheiros destemidos
E bravos decidentes da esperança
Por isso nunca ficamos esquecidos
Da nossa bravura lá em França.
 
Nós queremos é o campo do seu lar
Por isso já não digo outra vez
Quem marcha anda sempre à frente
É o regimento de artilharia três
 
Alerta sempre alerta os artilheiros
Devem ser sempre os pioneiros
A defender Portugal
Alerta com alerta nas entranhas
São as nossas boas façanhas
É o nosso Carnaval.
 
 
 
Marcha de Fernandinho
 
I
Fernandinho q' rida aldeia
De gente bem singular
Embora pareça feia
Tem belezas de encantar
 
II
Povo de boa vontade
P' rá sua Terra elevar
Com amor e lealdade
Trabalha sem descansar
 
Refrão
 
Na União Camponesa
O povo de Fernandinho
Para ter maior nobreza,
Deve ser bem unidinho
 
III
Pra maior realidade
Que a má vontade se troça
É uma grande verdade - Bis
A união faz a força
 
IV
Persistentes quais formigas
É com prazer que lutamos
E desprezando fadigas
Sempre em frente caminhamos
 
V
E na sua singeleza
É bem fácil de igualar
A União Camponesa
Que se está a apresentar
 
Maria Luísa Roque Fernandes,
Professora Primária
 
 
 
Vira de Bonabal
 
Esta noite em Bonabal
Tudo brinca minha gente
Esta vida é um momento
Que passa tão de repente
Brinquemos ó mocidade
Não há tempo a perder
Queremo-nos divertir,
Ai, até a manhã romper.
 
Refrão:
Ó vira que lindo
Que belo, tu és
Tens um truque truque
Batido com os pés
Tu és um saloio
Muito espertalhão
Que deixas a gente
Em aflição.
 
Minha terra pequenina
Tão cheínha de beleza
És para mim a mais linda
Desta terra portuguesa
Toda ela é tão singela
Mas com atractivos tais
Que quem a vir uma vez
Ai, tem que a ver uma vez mais.
 
Refrão
 
Dos terraços muito brancos
Com enfeites de beleza
Descobrimos os encantos
Que lhe deu a natureza
Os moinhos nos cabeços
Com as velas a girar
Dão-lhe graça e poesia
Ai, que eu sinto e não sei contar.
 
Refrão
 
Música e Letra:
Abel Correia Marques (1951)
 
 
 
Marcha do Bonabal
 
A minha terra é tão linda
Beleza infinda, não tem igual
É um canto pequenino
É muito lindo é Bonabal
Adoramos nossa terra
Com paz ou guerra está sempre bem
Adoramos Bonabal,
Não fica mal é nossa mãe.
 
Refrão:
E como os nossos avós
De manhã ao despertar
Vem-nos dos lados da Foz
Os estalidos do mar
Dos lados do Oriente
Às vezes em sons confusos
Ouvimos alegremente
Os moinhos com seus búzios.
 
Rapazes de madrugada
Com sua enxada lá vão cavar
E até mesmo as moçoilas
Entre as papoilas lá vão ceifar
Adoramos nossos campos
Pois têm encantos sentimentais
Adoramo-los com esperança
Pois são herança dos nossos pais.
 
Música e Letra:
Abel Correia Marques (1968)
 
 
 
Marcha de São Mamede
 
São Mamede é terra linda
Com paisagens de encantar
Com a sua luz infinda
Onde tudo faz brilhar
 
Tem no alto os seus moinhos
Que moendo de mansinho
Pão e trigo do senhor
Os seus campos tem riqueza
Onde tudo causa beleza
Nas suas canções de amor
 
Refrão
Ventosa sempre a brilhar
Sabes cantar, sabes sorrir
Sabes brincar com alegria
Teu povo acolhedor.
Sempre ao dispor só por amor
Pela nossa freguesia
 
As tuas casas branquinhas
Com jardins a desabrochar
Fazem lembrar as barquinhas
No mar alto a navegar
O teu salão imponente
 
Parecer dizer à gente
Povo de grande valia
F eito com muito valor
Dedicação e amor
Pelo povo da freguesia
 
Refrão
 
As fontes da nossa terra
Com água limpa a brotar
Muita poesia encerra
As noites no nosso lar
Nos valados dos caminhos
Nascem musgo miudinho
Passam nuvens a correr
Adeus muita boa noite
Adeus muita boa noite
Adeusinho até mais ver
 
Aníbal Antunes (1945)
 
 
 
Homenagem a Bonabal
I
Nasci na beira, sou beirão
Mas não me levem a mal
Pois trago no coração
O Lugar de Bonabal.
 
II
Venham ver Bonabal
Pequena, mas mesmo assim
Entre os moinhos e o vale
Cheia de encantos sem fim.
 
III
Se quizerem saber
Quem ao trabalho se aferra
E porque querer é poder
Venham ver a nossa Terra.
 
IV
Tem ao cimo os moinhos
Tem gente humilde e carinhosa
A Terra de mil carinhos
Pequena, mas primorosa.
 
V
Mui digna é esta Terra
Parece o céu terrenal
Pela beleza que encerra
O lugar de Bonabal.
 
VI
Bonabal tu és ainda
Digna de mil Parabéns
Dum encanto que não finda
Pela beleza que tens.
 
VII
Por tanta, tanta beldade
Tu és um ponto ideal
Quem parte leva saudade
Do lugar de Bonabal.
 
Licínio Alexandre Leal (Janeiro 2001)
 
 
 
O Credo do Borracho
 
I
Há bom vinho afamado
A quem devo aceitação
Bem sei que sou borrachão
Mas confesso o meu pecado.
 
II
Mas não devo ser castigado
De tanto vinho gostar
Genebra e Aguardente
Ninguém mas venha gabar.
 
III
É tão forte o seu poder
Que o coixo arma banzé
E até faz o cego ver
E o soldado gasta o pré.
 
IV
O vinho é sempre o primeiro
Alegra o casado e o solteiro
E os velhinhos lhes dão valor
Este é o licor aonde eu gasto o dinheiro.
 
V
Ele é forte e omnipotente
Porque vai ao altar sagrado
E ao banquete marcado
Do senhor Presidente.
 
Licínio Alexandre Leal (Janeiro, 2001)
 
 
 
Hino a São Mamede
 
I
São Mamede, São Mamede
Que nos dás tanta alegria
Eu queria-te visitar
Em dia de romaria.
 
II
Já estou muito velhinho
E tudo quanto me resta
Eu vou-te visitar
No dia da tua festa.
 
III
No dia da tua festa
Eu vou lá como muito gosto
Todos nós sabemos
Que é no dia 17 de Agosto.
 
IV
No dia 17 de Agosto
Vamos com muita devoção
Para ver coisa mais linda
Que é a nossa procissão.
 
V
A nossa procissão
Com muitos andores
Também é muito bonito
A benção dos tractores.
 
VI
A benção dos tractores
E com muito gosto
Também é muito bonito
Ver a tradição do fogo preso.
 
VII
Até o Sr. Presidente da Junta
É muito carinhoso
E todos nós sabemos
Que é o Sr. Carlos Veloso.
 
Gregório João da Silva (Murteira)
 
 
 
Versos
 
I
Neste pais Encantado
Nesta Terra de horandez
Pois deve ser estimado
Um artista Português.
 
II
Fez as suas miniaturas
Com certa delicadeza
Com tal contentamento
Mostra a raça portuguesa.
 
III
Fez as suas miniaturas
Com carinho e à maneira
E o Gregório João
Do Casal da Murteira.
 
IV
Eu faço as minhas coisas
Com carinho e alegria
O meu nome já deixa brio
Cá na nossa freguesia.
 
Gregório João da Silva (Murteira)
 
 
 
Hino dos Arneiros
 
I
Viva a nossa Contradança
Foi arranada na Serra
Para que toda a gente saiba
Que os Arneiros é a nossa Terra.
 
II
Arneiros é a nossa Terra
Freguesia é São Mamede
Torres Vedras o Concelho
Também há a Adega
E o Restaurante Coelho
 
III
O Restaurante Coelho
É com muita alegria
Também há Caixa Agrícola
E muita carpintaria
 
IV
Muita carpintaria
Deixa tudo à maneira
Também há serralharias
E as bombas do Lapeira.
 
V
As bombas do Lapeira
Põe os carros a andar
Também há a casa das motorizadas
E os móveis Lagar.
 
VI
Os móveis Lagar
Tem o gozo do empurra
Também há muitos cafés
E a oficina do Peuga.
 
VII
A oficina do Peuga
Tem empregados delicados
Também há barbearias
E muitos supermercados.
 
VIII
Entre versos tão bonitos
Nunca se põe de parte
Também há a Firmipinta
E as construções Duarte
 
IX
O lugar dos Arneiros
Terra muito bela
Também há a Estucoeste
E uma linda Capela
 
X
Toda a gente gostou
Quando foi nossa chegada
Agora para despedida
Meus senhores muito Obrigado.
 
Gregório João da Silva (Murteira)
 
 
 
Moinho do Outeiro
 
I
Moinho no Outeiro
Da família o herdei
Foi meu trabalho primeiro
Foi aí que comecei
 
II
Era movido pelo vento
E com a graça de Deus
Dele tirei meu sustento
Para mim e para os meus
 
III
Era airoso e branquinho
Com as velas a girar
Era alegre o meu moinho
Com os seus búzios a cantar
 
IV
Tudo o que tem vida morre
E tudo tem que acabar
Um moinho também morre
O meu foi a trabalhar
 
V
No dia dez de Janeiro
De mil nove e setenta
Veio um tufão traiçoeiro e
O moinho não se aguentou
 
VI
Eu tive um azar na vida
De muitos recebi carinho
Fui partir pra outra linda
Ao ficar sem o meu moinho
 
VII
Nova vida comecei
Com uma pequena moagem
Na profissão que abracei
Houve então uma viragem
 
VIII
Das lembranças do moinho
Às da pequena moagem
Deus me guiou no caminho
Vou deixar-vos a mensagem
 
IX
Agradeço a muita gente
Aos de fora e aos meus
Porque me sinto contente
Dou muitas graças a Deus
 
X
Assim me sinto contente
E me sinto realizado
Sempre vivendo o presente
Com lembranças do passado.
 
Benedito Pereira Carimbo
(Bonabal, 1972)
 
 
Armando “O Moleiro”
 
Moinho que estás cantando,
A tua velha canção,
Contente porque vais fazendo,
Farinha pro nosso pão.
 
Tenho orgulho de ser moleiro,
No alto do Catanhal
Trabalhei a tempo inteiro,
No lugar de Bonabal.
 
Sou Armando o moleiro,
Por todos acarinhado,
Se não esqueço o presente,
Muito menos o passado.
 
Ser moleiro e ter o dom,
De ter honestas maquias,
De dar o seu a seu dono,
Para ter pão todos os dias.
 
Bendito seja este moinho,
Que me deu trabalho e pão,
Foi todo o meu destino,
E toda a minha paixão.
 
Este moinho tão lindo,
Fez parte da mocidade,
Ele me acompanhou no caminho,
Até à terceira idade.
 
Este moinho tão belo,
Erguido na terra amena,
Foste meu companheiro,
Porque a fé não foi pequena.
 
As velas giram e giram,
Giram ao sabor do vento,
O moleiro gira com elas,
Precisa estar atento.
 
As velas giram,
Sempre a rodar,
Em voltas no vento,
Que as faz andar.
 
Ver-te girar lá no alto,
Fazendo mover as mós,
Este destino infindo,
Começou em meus avós.
 
Quando um dia te deixar,
Te levo no coração,
Que bom é recordar,
Quando se ama a profissão.
 
Sou dono deste moinho,
Moendo todos os dias,
Quem bate à minha porta,
Nunca vai de mãos vazias.
 
Moinho meu companheiro,
É bom que não se esqueça,
Ai de mim o que seria,
Sem a Menina Condessa.
 
Estes moinhos brancos,
Encanto das nossas terras,
Encontram-se abandonados,
Nos encumes das serras.
 
Licínio Alexandre Leal (Bonabal)
 
 
 
Moinhos de Vento
 
I
Moinhos de vento
De vento inconstante
Onde havia o moleiro
Sempre vigilante
 
II
Moinhos de vento
Por montes estão
Fazendo farinha
Moendo o pão
 
III
De moinhos de vento
De velas girando
Com as avezinhas
Parecem brincando
 
IV
Moinhos de vento
Com os búzios gritando
Não sei se cantavam
Se estavam chorando.
 
V
Moinhos de vento
Branquinhos caiados
Parecem donzelas
Em dia de noivados
 
VI
Moinhos de vento
De velas branquinhas
Dos tempos distantes
Lembranças minhas.
 
VII
Moinhos de vento
No alto das serras
Era o encanto
Das nossas terras.
 
Benedito Carimbo (Bonabal, 2001)
 
 
 
Moinhos de Vento
 
I
Pus-me um dia a percorrer
Esta nossa freguesia
E senti grande prazer
Ao ver o que nela havia
 
II
Por ironia é aquela
Terra do vinho e do pão
É uma pequena aguarela
Mas com boa alimentação
 
III
Vi belezas naturais
Que me prendem o pensamento
E algumas principais
São os moinhos de vento
 
IV
O primeiro é o da Boavista
Que é das paisagens mais belas
Depois dele se regista
O moinho das Moutelas
 
V
Também vi um nas Galpeira
E vi três em Bonabal
Outros três na Bordinheira
Cova da Moura e Loural
 
VI
Vi lá um no Pinheiro Manso
Na Bogalheira e Ventosa
De o dizer não me canso
Que é imagem primorosa
 
VII
Também fui a Fernandinho
E ao Casal da Mucharreira
Trato a todos com carinho
E os recordo a vida inteira
 
VIII
Há um nos mais altos montes
Que a freguesia atravessa
Dos bonitos horizontes
O moinho da Oureça
 
IX
Fui aos moinhos do Frade
E também ao Catanhal
Diminui a saudade
Ao chegar ao Bonabal
 
X
Senti muita pena ao ver
Que muitos estavam parados
Pena que não possam ser
Novamente restaurados
 
XI
Dos mais belos entre tantos
Que ainda vão moendo trigo
É o do Armando dos Santos
Que é seu dono, e nosso amigo
 
XII
Foi sempre esta a sua arte
Tradição original
Ser moleiro também faz parte
Da beleza natural
 
João da Cruz Ramos
«Palhinhas»
Setembro 2000
 
 
 
I
Pus-me um dia a visitar
Os moinhos da Freguesia
Queria saber quantos eram
Aonde cada um existia
 
II
No moinho do Frade vi dois
Foi onde me pus a caminho
Ver se via o do Regalo
Lá perto de S. Martinho
 
III
Fui ver o da Pena Sêca
Mais abaixo o do Catanhal
Visito o dos Cortiços
Todos três em Bonabal
 
IV
Fui até ao da Galpeira
Ao da Cova da Moura também
Fui ver o das Moutelas
E o Mato Grande mais além
 
V
Segui ao da Boa-Vista
Na Bogalheira outro havia
Subo até ao da Oureça
No centro da freguesia
 
VI
Desço até ao da Ventosa
Aonde paro e descanso
Pois tinha que subir a serra
Para ir ao do Pinheiro Manso
 
VII
Ai olhando o horizonte
Volto de novo ao caminho
Pois muito tenho que andar
Para ir ao de Fernandinho
 
VIII
Volto atras ao de Vale Galego
Aonde já sinto certa canseira
Mas ainda tenho que ir
Ao do alto da Muchareira
 
IX
Dezoito me lembro a trabalhar
Em toda a freguesia
Mas só dezassete encontrei
Do outro me rasto havia
                                                                             
 
Benedito Carimbo
Bonabal
Agosto 2001
                                                                             
 
 
 
Dignos de referência são também os trajes tradicionais desta região, que, apesar de já não se usarem no dia-a-dia, continuam a ser preservados pelas gentes locais. Destaca-se o Traje Domingueiro, também designado por Traje de Ir à Missa ou das Festas, e o Traje de Trabalho. Este era composto por calça de cotim, camisa, colete, barrete e botas.
 
 
 
Na área da freguesia regista-se, ainda hoje, a prática de diversos jogos tradicionais, nomeadamente: Dominó, Jogos de Cartas, Xadrez, Jogo do Pau, Jogo da Malha ou Chinquilho, Berlinde, Caça ao Dorminhoco, Cavalhadas, Jogo do Galo, Jogo do Pião, Jogo da Boneca ou da Caqueira, Jogo do Rapa, Jogo da Estaca, Jogo do Farrapo, Jogo do Trapinho Quente, Jogo do Salpiquete, Caça e Pesca.
Apresenta-se, então, a descrição de alguns deles:
 
 
Jogo da Malha
 
A Malha deve jogar-se à distância oficial de vinte e cinco metros, as equipas são sorteadas quinze minutos antes do início do jogo e começa o jogo a equipa que tiver sido seleccionada em primeiro lugar. As equipas mudam de campo sempre que se iniciar uma nova partida. As segunda e terceira partidas são começadas pela equipa que perdeu a anterior. Cada jogo termina quando são completadas três partidas.
A pontuação distribui-se da seguinte forma: são contados seis pontos para cada derrube de pinoco; após quatro lançamentos, contam-se três pontos para a equipa que tiver a malha mais próxima do pinoco; de cada vez que se vencer uma partida contam-se três pontos.
 
 
 
Cavalhadas
 
Para este jogo são necessários seis participantes, cada qual com um cavalo. Cada interveniente deve ter em seu poder uma vara de 60 a 70 centímetros de comprimento, uma argola de ferro com um diâmetro de 7 a 8 centímetros, e uma corda que é para pendurar a argola. É tradição desta terra por uma passadeira de barro desde o pelourinho com o comprimento de 60 a 70 centímetros. O primeiro jogador começa a sua marcha no pelourinho levando na mão o pau, indo por cima da passadeira de barro durante o seu trajecto. O objectivo é tentar enfiar a vara na argola de ferro pendurada a meio do trajecto, a uma altura um pouco superior à sua cabeça. Caso o participante consiga fazê-lo à primeira tentativa terá como prémio um frango, se conseguir apenas na segunda terá como prémio um ramo de flores, que será entregue à sua namorada ou à pessoa que ele mais goste.
 
 
 
Jogo do Pião
 
Num espaço amplo, de preferência de terra batida, fazia-se uma roda no chão e cada jogador atirava o pião para dentro dela. Enquanto o pião girava, era atingido com sêcas até sair da roda. O jogador só podia voltar a lançar o pião quando isto acontecia.
Existia ainda outra forma de jogar: no terreno era feito um ponto de partida do jogo e noutro ponto era feita uma cova, denominada “nicha”. Os jogadores dividiam-se por duas equipas: uma empurrava o pião para a nicha e a outra tentava evitá-lo. Se o pião entrasse na nicha, cada jogador da equipa perdedora teria de disponibilizar um pião para levar com as sêcas.
 
 
 
Trapinho Quente
 
Um trapo é escondido por um dos jogadores sem que os outros vejam. Dado o sinal de início do jogo, todos começam a procurar o objecto escondido. A maior ou menor proximidade do trapo é indicada pelo primeiro jogador aos que realizam a busca, pela seguinte graduação: “gelado”, “frio”, “morno”, “quente”, “mais quente”, “a ferver” e “queimado”. Vence o jogo o jogador que primeiro encontrar o trapo escondido, “queimado”, sendo então a sua vez de esconder o trapo.
 
[Reprodução Audio] Data de 23/06/2010
 

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